Debate Seguro | 10 de agosto de 2022 | Fonte: José Gilberto Mendes

A Responsabilidade Civil e a vida do Corretor de Seguros

Por José Gilberto Mendes – Corretor de Seguros

Hoje, no horário de almoço, ao ver os jornais de TVs, com suas notícias sempre acalentadoras e digestivas! Quando ouvi falar sobre o terrível e lamentável acidente de trânsito ocorrido próximo ao maior shopping de nossa cidade, fiquei a pensar sobre as possibilidades e dificuldades que nossa profissão, corretores de seguro, possui.

O ACONTECIDO:

Um veículo ao transitar normalmente por uma via simples e de velocidade baixa é colidido em sua lateral esquerda por outro auto que saía do estacionamento de um edifício. O condutor deste último auto, provavelmente, fora obstaculizado na sua visão real de tráfego, pois houvera sido coberta por uma caçamba de entulho deixada ao lado do meio-fio logo a direita do ângulo de percepção do motorista que saía pelo estacionamento e tentava adentrar à pista.

Repentinamente, logo após essa colisão lateral, o veículo principal da catástrofe, abruptamente, começa a derivar de um lado para o outro, acelerando a velocidade sem qualquer motivo aparente, encostando-se em outros veículos estacionados e ou não nas vias de rolamento. Assim que feita a curva à pista principal, já numa velocidade considerável, deriva para direita e, passando por um espaço incrivelmente estreito, adentra ao estabelecimento comercial e causa vários danos materiais e principalmente danos corporais aos ocupantes daquele recinto.

DO PENSAMENTO:

De minha parte, como um profissional de seguros, fico imaginando como definir uma culpa neste infeliz acidente?

A culpa seria da causadora, motorista do veículo infeliz? Da empresa de caçamba de entulho que a deixou num local a obstaculizar a visão dos saíntes do estacionamento? Do condutor do veículo que saiu do estacionamento? Do veículo que pode ter travado alguma peça ou equipamento fundamental ao funcionamento normal do veículo que acelerou? Do órgão público que deveria fiscalizar os objetos parados nas laterais das pistas? Do condomínio que deveria destinar um local mais apropriado para estacionamentos de caçambas? Ou por final do estabelecimento comercial alimentício que funcionava normalmente?

Na realidade, creio que ninguém consiga cravar ou imaginar a quem será dirigida a responsabilização pelos danos, ademais, me sinto muito apreensivo e pensativo.

Num momento destes, todos os envolvidos, direta ou indiretamente, inclusive os corretores de seguro desses, estão em agonia, e, principalmente as famílias e as

vítimas que sofrem imensamente e se sentem inseguras em qualquer local que estejam.

          Pensativos ainda sobre todo o ocorrido, nem cabe qualquer definição, análise ou palpite. O que nos faz refletir é a grande dificuldade que temos de, como profissionais de seguro, orientarmos e sermos os melhores consultores possíveis de nossos clientes. O que podemos fazer para incutir neles a real necessidade de contratar coberturas robustas?

Quando falamos que as empresas que prestam serviços em geral, comércios, condomínios e todas as PESSOAS FÍSICAS E JURÍDICAS, responsáveis ou não por veículos e empresas, precisam de bons seguros de RESPONSABILIDADE CIVIL, na maioria das vezes somos tidos como pessimistas, visionários ou proclamadores de catástrofes.

As leis brasileiras são imperativas quando exigem de quase toda empresa ou atividade ou cidadão que tenha que contratar seguro. No entanto, essa mesma lei não obriga o mercado de seguro a “segurar”. 

CONCLUINDO:

Não obrigar o mercado de seguro a segurar é um fato que ocorre todos os dias. Hoje mesmo um infindável número de profissionais corretores de seguros do Brasil têm infinitas demandas de segurados interessados em contratar apólices de seguros (AUTO, FROTA, RC, TRANSPORTES, SEGUROS EMPRESARIAIS E ATÉ SEGURO DE VIDA) e o mercado segurador não atende a demanda, por desinteresse nos riscos, pela falta de protecionais, por ineficiência nas adequações necessárias, por um exame de saúde que diz que a pessoa está com pressão alta e acima dos 60, ou simplesmente pela imposição de um novo mercado ressegurador que nada aceita e que geralmente é muito impositivo.

Seguros obrigatórios de RESPONSABILIDADE CIVIL que são incentivados ou impostos para maioria de Pessoas Físicas e Pessoas Jurídicas nos países de primeiro mundo, nem são ventilados no Brasil.

Toda essa balbúrdia que observamos e temos que nos submeter como profissionais corretores de seguros nos deixam inconsoláveis e preocupados como cidadãos, empresários ou autônomos que pagam impostos incalculáveis, e, mesmo que por sua conta e risco, caso queiram se proteger de casos fortuitos e de força maior, têm dificuldade de fazê-lo; por impossibilidade financeira, por falta de conhecimento ou por inobservâncias das leis e da inércia de muitos, ou finalmente por negativa do mercado de seguro.

Então, como cristãos que somos na maioria, nos resta rezar… muito!

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