Saber Sabendo - Ensinando e Aprendendo | 5 de setembro de 2022 | Fonte: Sergio Ricardo

Nem jantar pago tem mais!

Sou uma pessoa de valores e convicções fortes. Alguns até me dizem que por vezes quero duelar com moinhos de vento, em alusão a célebre obra de Miguel de Cervantes, mas quando o motivo é nobre, que se dane se a realidade não seja exatamente aquela que está nos meus sonhos e devaneios, temos que lutar para construí-la.

A mudança que esperamos que aconteça nunca nos levará a um mundo perfeito, mas ao persegui-la, a única certeza que temos é que as pessoas podem mudar e, se assim for, a melhoria será gradual e contínua.

Muitas vezes, quando chego em empresas pela primeira vez, para implantar programas de gerenciamento de riscos e controles, as pessoas me perguntam quais serão os benefícios que vão ter em seus programas de seguros.

Sempre respondo que não estou lá para reduzir prêmios, em um primeiro momento (o que pode até ser chocante), mas para diagnosticar quais são os riscos que estão expostos, fazer com que as equipes internas estimem as probabilidades de ocorrência dos eventos de risco e a magnitude das consequências diretas e indiretas, assim como o potencial de gerar interrupções. A construção de respostas aos riscos, estabelecendo estratégias para enfrentá-los, passa por um trabalho conjunto para criar planos de ação e controles, além de soluções financeiras, onde os seguros podem ser aplicados.

Programas de seguros são, portanto, estratégias de resposta aos riscos expostos, não havendo como defini-los ou reformá-los sem compreender o que está sobre a mesa, sem a participação dos corretores de seguros e de quem efetivamente vai pagar a conta.

Já falei por aqui em outras colunas, que o mundo mudou e que o ambiente internacional sugere um mercado bem restrito, o que significa dizer que seguradoras e resseguradores estão mais atentos em relação a qualidade dos riscos que subscrevem.

As mudanças regulatórias revcentes também são motivo para atenção, porque a Resolução CNSP 407/2021 fixou os parâmetros para os seguros de grandes riscos (muitos deles não eram assim classificados anteriormente).

Assim, se os seguros patrimoniais forem emitidos em RN ou RO, são grandes riscos, assim como aqueles com faturamento anual acima de R$ 57 MM, ou ativos superiores aos R$ 27 MM ou, ainda, LMIs superiores aos R$ 15 MM.

Isso quer dizer que esses empreendimentos terão seguros sob livre pactuação contratual (com parâmetros mínimos obrigatórios) ou seja, valerá o que estiver escrito, da forma que estiver escrito e nas condições apresentadas pelas seguradoras, salvo se houver alguma negociação específica, o que só deverá acontecer quando os riscos estiverem muito bem gerenciados e protegidos, assim mesmo com a interveniência de corretores de seguros técnicos e competentes, capazes de traduzir os esforços da empresa em gerir seus riscos ao mercado, durante as negociações de transferência.

Também significa que as seguradoras não têm a mínima obrigação de subscrever (ou renovar) seguros de empreendimentos que não gerenciam os seus riscos.

Voltando ao início, particularmente, gosto de períodos assim, pois são oportunidades para que as empresas se conscientizem que não há jantar gratuito no mercado de seguros e muitas vezes, mesmo querendo pagar, não se consegue jantar.

Também é uma oportunidade para que os corretores de seguros se reinventem, estudem ainda mais e evoluam, o que é bom para todos.

Não sei se o texto acima lhes ajuda a pensar no tema, mas se assim quiser e desde já com a minha autorização, compartilhem com os seus clientes.

Em breve farei uma “live” para debater o assunto é avisarei por aqui. Sintam-se desde já convidados.

Siga-me lá no Instagram @sricardoms

Sergio Ricardo

Executivo dos Mercados de Seguros e Saúde Suplementar com mais de 25 anos de experiência. Mestre em Sistemas de Gestão – UFF/MSG, MBA em Gestão da Qualidade Total – GQT – UFF. Engenheiro Mecânico – UGF. Foi superintendente técnico e comercial na SulAmérica Seguros. Foi membro da ANSP – Academia Nacional de Seguros e Previdência e foi Diretor de Seguros do CVG – RJ. Fundador do Grupo Seguros – Linkedin (https://www.linkedin.com/groups/1722367/). Associado da ABGP, PRMIA, IARCP. Colunista da Revista Venda Mais e do Portal CQCS. Coordenador de Pós-Graduação e Professor dos Programas de Pós-Graduação na UCP IPETEC, UFF, UFRJ, ENS, FGV, IBMEC, UVA, CEPERJ, ECEMAR, ESTÁCIO, TREVISAN, PUC RIO, IBP, CBV e é embaixador na Tutum – Escola de Seguros. Atualmente é coordenador acadêmico de vários cursos de pós-graduação, como o MBA Saúde Suplementar http://www.ipetec.com.br/mba-em-saude-suplementar-ead/, do MBA Seguros https://www.ipetec.com.br/mba-em-seguros-ead-new/ do MBA Governança, Riscos Controles e Compliance e do MBA Gestão de Hospitais e Clínicas na UCP IPETEC. Sócio-Diretor da Gravitas AP – Consultoria e Treinamento, especializada em consultoria e treinamentos em gerenciamento de riscos, controles, compliance, seguros, saúde suplementar e resseguro. www.gravitas-ap.com. Fale com Sergio Ricardo sergioricardo.gravitasap@gmail.com.

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